Política

Ultradireitista André Ventura lidera votos de portugueses no Brasil e avança ao segundo turno em Portugal

O candidato de ultradireita André Ventura obteve forte desempenho entre os eleitores portugueses residentes no Brasil no primeiro turno das eleições presidenciais de Portugal, realizado neste domingo (18). Fundador e presidente do partido Chega, Ventura recebeu 49% dos votos válidos registrados no país sul-americano.

No cenário geral da disputa, Ventura avançou ao segundo turno, que será realizado em 8 de fevereiro, ao lado de António José Seguro, do Partido Socialista. Com 99,79% das urnas apuradas, por volta da 1h30 da madrugada de segunda-feira (19) em Lisboa, Seguro liderava a votação nacional com 31,11%, enquanto Ventura aparecia com 23,52%.

Os resultados revelam uma diferença significativa entre o comportamento do eleitorado dentro e fora de Portugal. Em território português, Seguro manteve vantagem, com 31,21% dos votos, contra 23,29% de Ventura. Já no exterior, o ultradireitista assumiu a liderança, somando 41,89% e 29.110 votos, enquanto o socialista obteve 23,24%, com 16.151 votos.

A participação dos eleitores que vivem fora do país foi marcada por elevada abstenção. Com 93,58% das urnas apuradas nos consulados, apenas 4,01% dos eleitores compareceram às urnas. Do total de 1.754.232 portugueses aptos a votar no exterior, somente 70.385 participaram do pleito.

No Brasil, a taxa de comparecimento foi ainda menor. Apenas 1,86% dos eleitores inscritos votaram, o que corresponde a 5.647 votantes de um universo de 303.670 eleitores. Apesar da baixa participação, Ventura venceu em nove das dez capitais brasileiras onde houve votação, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Salvador. A única capital em que foi superado por Seguro foi Porto Alegre.

O candidato do Chega também liderou a votação em três das quatro grandes regiões do exterior, com vitória nas Américas, na Europa e na África. Ele ficou atrás apenas na Ásia e na Oceania, onde terminou em terceiro lugar.

Ventura tem como principais bandeiras o combate à corrupção, o endurecimento das leis penais e o controle da imigração. O candidato defende mudanças profundas na Constituição portuguesa, especialmente nos sistemas penitenciário e migratório.

António José Seguro, por sua vez, apresenta um discurso mais moderado e aposta na reconstrução do diálogo político em um cenário de polarização. Pesquisas realizadas antes do primeiro turno indicavam vantagem do socialista em um eventual confronto direto no segundo turno, com menor índice de rejeição entre os eleitores.

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