Política

Trump mantém tarifas e pressiona Europa por acordo envolvendo a Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma extensa declaração publicada nas redes sociais que países europeus foram beneficiados economicamente por Washington ao longo de décadas e que, diante do atual cenário geopolítico, chegou o momento de a Dinamarca “retribuir” esse apoio. Entre os países citados por Trump estão Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

Segundo o presidente americano, os subsídios ocorreram por meio de isenções tarifárias e outras formas de apoio econômico concedidas pelos Estados Unidos. Na publicação, Trump associou a questão à segurança internacional e afirmou que a estabilidade global estaria ameaçada. “A paz mundial está em jogo”, escreveu.

Trump justificou a manutenção de tarifas comerciais alegando riscos estratégicos envolvendo a Groenlândia. Ele declarou que China e Rússia demonstram interesse no território e afirmou que a Dinamarca não teria capacidade de garantir sua proteção. Em tom irônico, minimizou a estrutura de defesa local e afirmou que apenas os Estados Unidos teriam condições de atuar de forma eficaz na região.

O presidente também mencionou que a presença recente de países europeus na Groenlândia agravou o cenário de risco. Segundo ele, delegações de várias nações teriam visitado o território com objetivos que classificou como “desconhecidos”, o que, em sua avaliação, representaria uma ameaça à segurança internacional.

Trump declarou que as tarifas permanecerão em vigor até que seja firmado um acordo que envolva a “compra completa e total da Groenlândia”. Ele afirmou que os Estados Unidos tentam adquirir o território há mais de 150 anos, mas que as negociações anteriores não avançaram devido à recusa dinamarquesa.

Na declaração, o presidente também vinculou a possível aquisição da Groenlândia a um projeto de defesa chamado por ele de “Cúpula Dourada”, que prevê investimentos de centenas de bilhões de dólares em sistemas militares avançados. Segundo Trump, o projeto só atingiria sua eficiência máxima caso o território fosse incorporado à estratégia americana.

Ao final, Trump afirmou que os Estados Unidos estão abertos a negociações imediatas com a Dinamarca e os demais países citados, defendendo a adoção de medidas que, segundo ele, evitariam uma escalada de riscos globais.

Em reação às declarações, manifestações foram registradas neste sábado em cidades como Copenhague e Nuuk, capital da Groenlândia, sob o lema “Mãos Fora da Groenlândia”. Em Copenhague, manifestantes protestaram em frente à embaixada dos Estados Unidos com palavras de ordem contrárias à venda do território.

Pesquisas recentes indicam que a maioria da população da Groenlândia rejeita a possibilidade de controle americano da ilha. Paralelamente, a Dinamarca anunciou o reforço de sua presença militar na região, enquanto países aliados da Otan sinalizaram apoio com possíveis envios de tropas.

O ex-secretário-geral da Otan Anders Fogh Rasmussen afirmou ao Financial Times que Trump estaria utilizando a Groenlândia como elemento de distração diante de outros conflitos internacionais. Ao mesmo tempo, uma delegação bipartidária do Congresso dos Estados Unidos esteve em Copenhague para manifestar apoio à Dinamarca e à Groenlândia, em posição distinta da adotada pela Casa Branca.

Botão Voltar ao topo