Paraíba

sugerido: Professores da UEPB divulgam carta e contestam fim da greve

A decisão que encerrou a greve dos professores da Universidade Estadual da Paraíba não foi aceita por toda a categoria. Dos participantes da assembleia que confirmou o fim da paralisação, quarenta e seis docentes votaram contra o retorno das atividades. Após a reunião, um grupo de professores divulgou uma carta criticando o processo e repudiando o resultado.

Segundo os docentes que se opuseram ao fim da greve, a proposta do Governo do Estado não apresentou mudanças relevantes em relação ao que já havia sido rejeitado. O texto aprovado prevê pagamento retroativo das progressões com deságio de quarenta por cento, além do restante dividido em vinte parcelas.

As aulas só serão retomadas após a reorganização do calendário acadêmico, que será definida pelo Consepe em reunião marcada para a tarde desta terça-feira.

Na carta, os professores alegam que a assembleia foi convocada pela ADUEPB com menos de quarenta e oito horas de antecedência, em desacordo com o regimento do sindicato. Eles afirmam ainda que a nova proposta do governo só foi apresentada no momento da reunião, que ocorreu de forma descentralizada.

O grupo reforça que o governo manteve essencialmente a mesma proposta antes rejeitada, sem recomposição para o orçamento da universidade e com um modelo de pagamento considerado desfavorável. As demais reivindicações, como concursos e orçamento, teriam sido reduzidas a promessas sem garantias.

Os docentes também criticam a postura da Reitoria, afirmando que a administração não tem defendido a autonomia financeira da UEPB. Eles citam o envio de um orçamento inferior ao previsto em lei e apontam alinhamento político com o Governo do Estado, o que, segundo o grupo, teria prejudicado as negociações.

O documento defende que, mesmo com o crescimento econômico da Paraíba nos últimos anos, a UEPB segue enfrentando cortes, falta de investimentos e deterioração estrutural. Para os professores, esse cenário justificaria a continuidade da mobilização.

Os signatários afirmam que o encerramento da greve sem conquistas reais representa um golpe para a universidade e para a comunidade acadêmica. O texto também acusa a ADUEPB de tentar sufocar divergências durante a assembleia.

A carta completa amplia as críticas, questiona a atuação da Reitoria e afirma que a categoria deixou o movimento “humilhada”. O grupo também menciona episódios ocorridos durante a assembleia, cita desinformação prévia veiculada pela imprensa e aponta falta de reação da comunidade universitária.

O documento é assinado por mais de trinta professores da instituição.

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