Queda na natalidade e aumento da longevidade pressionam Previdência e acendem alerta na Paraíba
O aumento da expectativa de vida e a redução da taxa de natalidade têm intensificado a pressão sobre as contas da Previdência Social no Brasil. Na Paraíba, onde predominam o setor de serviços, a informalidade e a renda média mais baixa, especialistas alertam que depender exclusivamente do Instituto Nacional do Seguro Social pode resultar, no futuro, em benefício limitado à renda de subsistência.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a taxa de fecundidade no país caiu de mais de seis filhos por mulher na década de 1960 para cerca de 1,6 atualmente. No mesmo período, a expectativa de vida apresentou crescimento contínuo.
Segundo o economista Alexandre Nascimento, essa combinação impacta diretamente o modelo previdenciário brasileiro, que opera no regime de repartição simples, no qual os trabalhadores da ativa financiam os aposentados. Com menos contribuintes e mais beneficiários vivendo por mais tempo, o sistema enfrenta desequilíbrio crescente.
Informações do Tesouro Nacional mostram que o déficit do Regime Geral de Previdência Social permanece elevado e depende de recursos do Orçamento da União para ser coberto. De acordo com o economista, o problema não decorre necessariamente de má gestão, mas de um desenho institucional que, associado às mudanças demográficas, tende a exigir novas reformas ao longo do tempo.

