Presidente da Assembleia Nacional venezuelana anuncia libertação de “número significativo” de presos, incluindo estrangeiros
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O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou nesta quinta-feira (8) que um “número significativo” de presos venezuelanos e estrangeiros está sendo libertado no país em um processo que ele classificou como um gesto de paz. A ação ocorre em meio à intensa atenção internacional sobre a situação política e prisional venezuelana.
Rodríguez, que lidera o parlamento e é irmão da presidente interina Delcy Rodríguez — que assumiu o poder após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado (3) — afirmou que a decisão foi tomada de forma unilateral pelo governo bolivariano e pelas instituições estatais, sem negociação com outras partes.
Segundo o anúncio oficial, a libertação de detentos já começou e inclui tanto cidadãos venezuelanos quanto estrangeiros. O governo do país não chegou a divulgar o número exato de pessoas beneficiadas, nem a lista completa dos nomes liberados, mas confirmou que o processo está em andamento.
Entre os primeiros confirmados está a ativista de direitos humanos Rocío San Miguel, que tem cidadania venezuelana e espanhola e estava detida desde 9 de fevereiro de 2024. Ela foi acusada pelo governo venezuelano de crimes graves, incluindo suposto envolvimento em planos contra o regime, mas sua prisão havia sido fortemente criticada por organizações de direitos humanos e pelo governo espanhol.
Organizações que monitoram prisões políticas na Venezuela estimam que centenas de pessoas permanecem detidas por motivos políticos, e o anúncio foi recebido com cautela por grupos de direitos humanos, que afirmam que é necessária transparência e verificação dos casos de libertação.
Rodríguez agradeceu o apoio de figuras internacionais, incluindo o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e autoridades do Catar, por suposto apoio à busca por paz e direitos humanos no país. Entretanto, não está claro se houve envolvimento direto de qualquer governo estrangeiro nas negociações específicas que resultaram nas solturas.
A medida ocorre em um contexto de alta repressão e estado de emergência na Venezuela, com relatos de detenções frequentes de jornalistas, opositores e cidadãos suspeitos de oposição ao regime.
Contexto de direitos humanos:
Organizações como o Fórum Penal estimam que, antes das libertações anunciadas nesta quinta, centenas de pessoas eram mantidas sob detenção por motivos políticos no país, incluindo estrangeiros e venezuelanos detidos após manifestações ou supostas atividades contrárias ao governo.
O que se sabe sobre Rocío San Miguel:
Rocío San Miguel é uma conhecida ativista e advogada venezuelana com cidadania espanhola que foi detida em fevereiro de 2024 sob acusações de traição e conspiração contra o governo. Sua libertação foi confirmada pelo governo da Espanha e pela imprensa internacional.
Situação atual:
Os detalhes sobre o número total de libertados, as condições de soltura ou quaisquer restrições adicionais ainda não foram divulgados oficialmente pelo governo venezuelano, e a questão segue sendo acompanhada por observadores internacionais e organizações de direitos humanos.
Foto: AFP

