PF deflagra nova fase da Operação Sem Desconto e mira esquema de lavagem de dinheiro ligado a fraudes no INSS
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes em descontos ilegais aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nesta etapa, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os alvos estão familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), como a esposa, a filha e duas irmãs, além do advogado Willer Tomaz. A PF esclareceu que o senador não foi alvo dos mandados desta fase, embora permaneça investigado e tenha sido alvo de buscas em uma etapa anterior da apuração.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que Weverton Rocha teria desempenhado um papel central em uma estrutura de movimentação financeira e patrimonial destinada, em tese, a ocultar a origem e o destino de recursos obtidos de forma ilícita. A conclusão consta em decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a operação.
Segundo os investigadores, a análise de dados extraídos do celular do senador identificou movimentações milionárias envolvendo contas pessoais, familiares e empresariais, além da utilização de dinheiro em espécie e operações patrimoniais de alto valor. A PF também afirma que a estrutura ligada ao advogado e empresário Willer Tomaz teria servido como suporte financeiro e logístico para beneficiários investigados.
A Operação Sem Desconto teve início após a descoberta de um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024. As investigações estimam que os prejuízos possam chegar a R$ 6,3 bilhões.
Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que ele não é investigado na operação e que apenas cedeu uma aeronave ao senador em caráter particular. Também informou que a esposa de Weverton Rocha atua regularmente como advogada associada ao escritório e que os pagamentos recebidos correspondem a honorários profissionais.
Já o senador Weverton Rocha declarou que todas as movimentações financeiras mencionadas possuem origem em atividades profissionais e empresariais devidamente declaradas à Receita Federal. Ele criticou a operação, afirmou que seus familiares foram envolvidos de forma injusta e disse que continuará colaborando com as investigações. Até o momento, não há condenações relacionadas ao caso, e as apurações seguem em andamento.


