PF aponta múltiplos planos de voo e reforça suspeita de tentativa de fuga de dono do Banco Master
A Polícia Federal identificou que o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha ao menos três planos de voo distintos antes de ser preso na noite de 17 de novembro do ano passado, quando se preparava para embarcar para o exterior. As informações integram as investigações em curso e são consideradas relevantes para sustentar a suspeita de tentativa de fuga do país.
De acordo com investigadores ouvidos pela reportagem, a existência de diferentes rotas reforça a tese de que Vorcaro não planejava apenas uma viagem a Dubai para tratar da venda do banco a investidores árabes, em parceria com o Grupo Fictor, como alegou a defesa. Para a PF, os dados enfraquecem o argumento de que não havia risco de evasão e de que o Banco Central teria se precipitado ao decretar a liquidação do Master.
Antes da prisão, Vorcaro já vinha sendo monitorado pela Polícia Federal, que identificou indícios do uso de um helicóptero com a finalidade de despistar eventual acompanhamento. A ordem de prisão foi assinada às 15h do próprio dia 17, data em que também ocorreu a reunião da diretoria do Banco Central que decidiu pela liquidação da instituição financeira.
Procurada, a defesa de Vorcaro classificou as informações sobre tentativa de fuga como especulações. Em nota, afirmou que o empresário buscava soluções de mercado para o conglomerado Master, com transparência e diálogo com o regulador. Segundo os advogados, o Banco Central foi informado sobre diversas tratativas de venda e sobre a divulgação, naquele mesmo dia, de um acordo com a empresa Fictor.
Os representantes legais do ex-banqueiro não responderam aos questionamentos específicos sobre os diferentes planos de voo identificados pela Polícia Federal. Desde a prisão, a defesa sustenta que o Banco Central deveria ter analisado a proposta apresentada pela Fictor antes de determinar a liquidação do banco.
Ainda no dia seguinte à prisão, reportagem da Folha de S.Paulo apontou que investigadores consideravam a proposta de compra do Master como uma possível simulação para justificar a saída de Vorcaro do país. Na ocasião, a Fictor anunciou a intenção de adquirir o banco em conjunto com investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Um comunicado divulgado pela Fictor na última segunda-feira (12) informou dificuldades de liquidez e o compromisso de regularizar sua situação financeira até fevereiro de 2026. Para autoridades que acompanham o caso, esse cenário reforça dúvidas sobre a capacidade da empresa de concluir a aquisição do Banco Master naquele período.
O jato particular em que Vorcaro embarcaria tinha como destino Malta, prevista como parada técnica antes de seguir para os Emirados Árabes Unidos. A defesa também argumenta que uma reunião virtual entre o ex-banqueiro e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, ocorrida antes da prisão, demonstraria a inexistência de risco de fuga.
Segundo integrantes da Polícia Federal, as investigações já reuniram elementos considerados consistentes sobre a atuação dos envolvidos. A expectativa é de que essa fase do inquérito seja concluída após os depoimentos dos investigados, previstos para o fim de janeiro e o início de fevereiro.

