Padilha afirma que Enamed expõe falhas no ensino médico e alerta para possível descredenciamento de cursos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quinta-feira (22) que o ensino médico no Brasil precisa avançar e que o governo federal está promovendo um “choque de realidade” para elevar a qualidade da formação profissional. A declaração foi feita após a divulgação dos resultados do Enamed, Exame Nacional de Formação Médica, que apontaram problemas em diversas instituições de ensino superior.
Segundo Padilha, cursos que não apresentarem melhorias poderão sofrer restrições, como a proibição de abrir novos vestibulares, ampliar vagas ou até mesmo perder o credenciamento. O ministro ressaltou que a manutenção dessas instituições dependerá de medidas concretas de evolução na qualidade do ensino.
Dados divulgados pelo Ministério da Educação indicam que, dos 304 cursos de medicina avaliados, entre instituições públicas federais e privadas, 204 alcançaram conceitos considerados satisfatórios, entre 3 e 5, o que representa 67,1% do total. Em contrapartida, 99 cursos, equivalentes a 32%, ficaram nas faixas 1 e 2, com menos de 60% dos estudantes apresentando desempenho adequado no exame.
Padilha atribuiu parte do problema à expansão acelerada de vagas em faculdades privadas durante o governo anterior, sem avaliação rigorosa da qualidade do ensino ofertado. Para ele, o Enamed e a avaliação progressiva dos estudantes são ferramentas importantes para corrigir essas distorções.
O ministro também declarou apoio à criação de um exame de proficiência obrigatório para o exercício da medicina, semelhante a um exame de ordem, e avaliou que o Enamed pode cumprir esse papel no futuro. No entanto, ressaltou que a medida precisa ser debatida e aprovada pelo Congresso Nacional.
O resultado do Enamed está sendo questionado judicialmente pela Associação Nacional das Universidades Particulares, que alegou inconsistências na condução da edição de 2025. Sobre a judicialização, Padilha afirmou que o governo está aberto a sugestões, mas destacou que, até o momento, as contestações não tiveram êxito na Justiça.

