Oposição articula suspensão do recesso para protocolar pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes

O deputado federal Cabo Gilberto (PL) afirmou que, na condição de líder da Oposição, está à frente de uma articulação para suspender temporariamente o recesso parlamentar e permitir o protocolo de um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista à imprensa, em Brasília, o parlamentar declarou que recentes denúncias envolvendo o ministro seriam suficientes para embasar o pedido. Entre os pontos citados estão informações publicadas pelo jornal O Globo sobre uma suposta tentativa de pressão ao Banco Central em favor do Banco Master e um contrato firmado pelo escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Moraes, no valor de R$ 129 milhões.
Segundo Cabo Gilberto, o ministro Alexandre de Moraes estaria atuando de forma incompatível com a Constituição e com o Estado Democrático de Direito. O deputado criticou a concentração de funções atribuídas ao magistrado em processos judiciais e mencionou decisões que, na avaliação dele, resultaram em condenações consideradas injustas.
Paralelamente, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que pretende iniciar a coleta de assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito após o fim do recesso legislativo. O objetivo, de acordo com o senador, é investigar notícias sobre a relação contratual entre o Banco Master e o escritório ligado à família do ministro Alexandre de Moraes, além de apurar informações sobre uma suposta atuação direta do magistrado em favor da instituição financeira.
As movimentações políticas ocorrem após a publicação de reportagens da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. As matérias relataram um encontro entre Alexandre de Moraes e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, no qual o ministro teria solicitado autorização para a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). As reportagens também divulgaram detalhes de um contrato de advocacia no valor mensal de R$ 3,6 milhões, com duração de 24 meses, totalizando R$ 129 milhões.
Até o momento, não há decisão formal sobre a suspensão do recesso parlamentar nem sobre a abertura de CPI ou a admissibilidade de eventual pedido de impeachment.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

