Ministério Público da Bahia explica critérios após polêmica envolvendo shows de Flávio José
Órgão afirma que acompanha aumento dos cachês pagos com recursos públicos e defende critérios técnicos nas contratações juninas
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) se manifestou sobre a repercussão envolvendo o cancelamento de apresentações do cantor Flávio José em cidades baianas durante os festejos juninos. Em nota divulgada nesta semana, o órgão afirmou que vem monitorando a evolução dos valores pagos em contratações artísticas realizadas com recursos públicos.
De acordo com o MP-BA, a média dos cachês contratados para festas juninas no estado passou de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil nas últimas quatro edições dos eventos, o que motivou a adoção de medidas de acompanhamento e orientação aos gestores municipais.
O órgão informou que encaminhou recomendações a mais de 100 prefeituras baianas para que as contratações de artistas observem parâmetros técnicos de controle e sejam atualizadas com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A iniciativa busca evitar reajustes considerados excessivos em contratos custeados pelo poder público.
Segundo a instituição, alguns municípios anunciaram apresentações de Flávio José com cachês de R$ 350 mil, valor superior ao praticado pelo artista em anos anteriores.
Apesar disso, o Ministério Público destacou que as análises levam em consideração fatores como notoriedade, relevância cultural e alcance de público dos artistas contratados. O órgão reconhece que atrações de grande projeção podem receber valores acima da média, desde que haja justificativa técnica adequada para a contratação.
A manifestação ocorre após Flávio José anunciar, por meio das redes sociais, o cancelamento de apresentações na Bahia e criticar a atuação do Ministério Público. O episódio gerou debates entre artistas, gestores municipais, produtores culturais e admiradores do forró tradicional sobre os critérios utilizados na contratação de atrações para os festejos juninos.
O MP-BA reforçou que seu objetivo é garantir transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos destinados às festas populares, sem interferir na valorização da cultura nordestina e dos artistas que integram a programação dos eventos.


