Mercosul e União Europeia assinam acordo de livre comércio em cerimônia no Paraguai
Os países que integram o Mercosul e representantes da União Europeia formalizaram, neste sábado, a assinatura do acordo de livre comércio entre os dois blocos. A cerimônia ocorreu em Assunção, capital do Paraguai, que exerce a presidência temporária do Mercosul. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não participou do evento, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O tratado estabelece uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores e abrangendo aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto global. Com a assinatura, Mercosul e União Europeia se comprometem a reduzir gradualmente tarifas de importação sobre a maior parte dos produtos negociados entre os dois blocos.
Pelo Mercosul, o acordo foi assinado pelos ministros do Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. A União Europeia foi representada pelo comissário de Comércio, Maroš Šefčovič. Também participaram da solenidade os presidentes do Paraguai, Santiago Peña; da Argentina, Javier Milei; do Uruguai, Yamandú Orsi; da Bolívia, Rodrigo Paz; além do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, convidado especial do evento.
Ao abrir a cerimônia, o presidente paraguaio destacou o papel do presidente brasileiro nas negociações. Segundo Peña, a atuação de Lula foi determinante para o avanço do acordo ao longo dos anos. Em seguida, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o pacto cria uma nova plataforma de cooperação entre os blocos em temas globais, como meio ambiente, competitividade econômica e fortalecimento institucional.
Durante os discursos, a situação política da Venezuela foi mencionada por representantes da Argentina, Bolívia e Panamá. O presidente argentino, Javier Milei, fez referência à atuação dos Estados Unidos no país vizinho e classificou o presidente Nicolás Maduro como “narcoterrorista”, declaração que gerou reações distintas entre os presentes.
Representando o governo brasileiro, o chanceler Mauro Vieira afirmou que o acordo é fundamentado no compromisso com a democracia e com o multilateralismo, em um cenário internacional marcado por incertezas e práticas protecionistas. Segundo ele, o tratado envia uma mensagem positiva ao mundo sobre cooperação e previsibilidade nas relações comerciais.
A ausência do presidente Lula foi explicada pelo fato de a assinatura estar prevista inicialmente para ocorrer em nível ministerial. A ampliação do evento para incluir chefes de Estado foi uma decisão posterior da presidência paraguaia do bloco. Ainda assim, Lula se reuniu na sexta-feira anterior com Ursula von der Leyen para celebrar politicamente o avanço do acordo.
Apesar da assinatura, o tratado ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países do Mercosul e da União Europeia, além do Parlamento Europeu. O processo deve se estender pelos próximos meses. Do lado europeu, o acordo prevê maior acesso do Mercosul ao mercado para produtos agropecuários, enquanto os países sul-americanos deverão abrir gradualmente seus mercados para bens industriais europeus, como automóveis, máquinas, medicamentos e equipamentos.
O texto também inclui normas sobre serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e mecanismos de solução de controvérsias. Um dos pontos mais sensíveis do acordo é o capítulo ambiental, que incorpora compromissos relacionados ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento.

