Brasil

Mensagens de Daniel Vorcaro citam jantar com Hugo Motta e encontros com Ciro Nogueira, revelam investigações da PF

Mensagens obtidas pela investigação da Polícia Federal indicam que o ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionou encontros com autoridades políticas em conversas com sua namorada, Martha Graeff.

Em diálogo de 26 de fevereiro de 2025, Vorcaro afirmou estar em Brasília para um jantar na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Na mensagem, ele disse que participava do encontro ao lado de seis empresários.

No mês seguinte, o ex-banqueiro voltou a mencionar uma reunião, relatando que Motta e o senador Ciro Nogueira teriam chegado para conversar com “Alexandre”, sem detalhar a identidade. Em outra troca de mensagens, Vorcaro descreveu o senador como um “grande amigo”.

As conversas também mostram comentários sobre a Proposta de Emenda à Constituição 65, apresentada por Ciro Nogueira, que sugeria ampliar a garantia do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A medida ficou conhecida no mercado como “emenda Master”, por supostamente favorecer bancos de médio porte.

Em outro momento, Vorcaro convidou a namorada para acompanhá-lo ao casamento de Duda Nogueira, filha do senador, realizado em agosto de 2024.

Em nota, a assessoria de Ciro Nogueira afirmou que o parlamentar mantém contato com centenas de pessoas e que isso não indica proximidade com todas elas. O senador declarou ainda estar tranquilo quanto às investigações.

As mensagens também citam uma suposta organização de pagamentos feita por Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que atuaria como operador financeiro. Segundo o material analisado pela PF, Zettel organizaria prioridades em uma lista de repasses.

Em outra conversa, Vorcaro criticou uma publicação do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o Banco Master em uma rede social. Na mensagem, o banqueiro reagiu ao comentário feito por Bolsonaro sobre uma operação financeira envolvendo a instituição.

As prisões desta quarta-feira, 4, ocorreram na terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos relacionadas a um esquema que envolveria a venda de títulos de crédito falsos por meio do Banco Master.

A decisão que autorizou a operação foi assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Segundo o magistrado, o grupo investigado teria uma estrutura usada para monitorar pessoas e intimidar adversários, incluindo concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas.

Entre os investigados está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como responsável por executar tarefas de monitoramento e coleta de informações. De acordo com as investigações, ele recebia pagamentos mensais que chegariam a R$ 1 milhão. Mourão sofreu morte encefálica após tentar tirar a própria vida na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte.

Mensagens analisadas pela PF também indicam que Vorcaro teria discutido ações para monitorar o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, após publicações consideradas negativas ao empresário.

Botão Voltar ao topo