Maria Corina Machado diz que pretende voltar à Venezuela e defende eleição “livre e justa” após prisão de Maduro

A líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado afirmou, nesta segunda-feira (5), que pretende retornar à Venezuela “o mais rápido possível” após a captura de Nicolás Maduro. Segundo ela, o país deve avançar para uma transição política que culmine em eleições consideradas livres e justas.
Em declaração pública, Machado afirmou acreditar que a oposição venceria uma eventual disputa eleitoral com ampla maioria. “Em uma eleição livre e justa, acredito que venceremos com mais de 90% dos votos”, disse. Ela também defendeu a continuidade do processo de transição política no país.
Maria Corina venceu as primárias da oposição em 2023 com mais de 90% dos votos, mas foi impedida pelo Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, alinhado ao governo, de exercer cargos públicos por um período de 15 anos. Diante da proibição, passou a apoiar Edmundo González como candidato único da oposição.
Atualmente fora do país, Machado declarou que a ação dos Estados Unidos que resultou na prisão de Maduro representa “um grande passo” e classificou o dia 3 de janeiro como um marco histórico. No sábado (3), a oposicionista afirmou, por meio das redes sociais, que o grupo opositor estaria preparado para assumir o governo após a saída do ex-presidente.
No comunicado, ela defendeu que Edmundo González Urrutia assuma imediatamente o mandato presidencial, com reconhecimento das Forças Armadas. Segundo Machado, a oposição estaria pronta para fazer valer o resultado das urnas.
No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista que Maria Corina Machado não teria apoio suficiente para liderar o país. Segundo ele, apesar de ser “simpática”, a oposicionista não contaria com o respeito necessário para comandar a Venezuela.
Quem é Maria Corina Machado
Engenheira, Maria Corina fundou em 1992 a Fundação Atenea, voltada ao acolhimento e educação de crianças em situação de rua. Em 2002, ajudou a criar a organização Súmate, dedicada ao monitoramento eleitoral e à promoção de eleições livres. Eleita deputada da Assembleia Nacional em 2010 com votação expressiva, foi afastada do cargo em 2014 pelo governo chavista. Desde então, lidera o partido Vente Venezuela e participa da aliança Soy Venezuela, que reúne grupos de oposição ao regime.
Foto: Pablo Sanhueza/ Reuters

