Maduro reforça segurança e intensifica ações para resistir à pressão militar dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ampliou suas medidas de segurança pessoal diante do risco crescente de uma intervenção militar dos Estados Unidos, segundo pessoas próximas ao governo venezuelano. As fontes relataram um clima de tensão constante no núcleo do poder em Caracas, embora afirmem que Maduro acredita manter o controle e ser capaz de resistir à nova e mais séria ameaça em seus 12 anos de governo.
Relatos indicam que o presidente tem alternado com frequência seus locais de pernoite e celulares para evitar ataques de precisão ou ações de forças especiais. As precauções se intensificaram desde setembro, quando os EUA começaram a concentrar navios de guerra e embarcações de ataque, que a administração Trump associa ao combate ao narcotráfico originado da Venezuela. Para reduzir riscos internos, Maduro aumentou a participação de agentes cubanos na sua segurança e incorporou mais oficiais de contrainteligência de Cuba ao exército venezuelano.
Apesar do cenário, Maduro tenta manter uma imagem pública de normalidade, participando de eventos sem aviso, dançando em aparições improvisadas e divulgando vídeos no TikTok. Nos bastidores, porém, o governo evita comentar a situação. Sete fontes ouvidas sob anonimato destacaram receio de retaliação e disseram que a postura dos EUA — que acusam Maduro de comandar um cartel narcoterrorista — visa, em última instância, forçar uma mudança de regime. Embora Trump tenha alternado ameaças e acenos diplomáticos, negociações sobre condições de saída de Maduro não avançaram.
Enquanto isso, o presidente intensifica sua presença midiática, mas com menos transmissões ao vivo programadas e mais aparições espontâneas. Para aliados e críticos, Maduro atravessa mais uma crise em uma gestão marcada por colapsos econômicos, protestos massivos e disputas internas. Sua permanência no poder se deve, segundo analistas, à combinação de repressão estatal, favorecimento político, controle militar e habilidade de sobreviver em ambientes hostis.
Maduro já resistiu a tentativas de golpe, à forte queda econômica e a pressões internacionais. Sua trajetória inclui episódios públicos controversos, amplamente explorados por opositores. No ano passado, ignorou os resultados de uma eleição em que foi derrotado por ampla margem, aprofundando o enfraquecimento das instituições democráticas.
A estratégia de Maduro para manter apoio militar envolve concessões econômicas a generais, que ganharam influência sobre setores estratégicos como mineração, petróleo e comércio. Especialistas afirmam que o governo tolera práticas ilícitas dentro das Forças Armadas, embora não haja provas de que o presidente lidere uma organização criminosa centralizada, como afirmam autoridades dos EUA.
Conversas recentes entre Caracas e Washington incluíram discussões sobre uma possível transição que poderia ocorrer a partir de um referendo em 2027, caso Maduro fosse derrotado. As negociações não prosperaram. Para analistas próximos ao governo, qualquer acordo reduziria a pressão imediata, mas não resolveria a crise de legitimidade agravada pela contestação eleitoral.

