Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva defende combate à fome no Conselho de Segurança da ONU e critica gastos militares

Em meio ao aumento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países que integram o Conselho de Segurança das Nações Unidas deveriam priorizar o combate à fome em vez de ampliar investimentos em defesa. O colegiado é composto por Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China.

A declaração foi feita nesta quarta-feira, 4, durante a abertura da 39ª Sessão da Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty.

Segundo Lula, os recursos atualmente direcionados ao fortalecimento de arsenais militares seriam suficientes para transferir US$ 4.285 a cada uma das cerca de 630 milhões de pessoas em situação de fome no mundo. Para o presidente, a erradicação da fome depende de decisão política e compromisso dos governantes.

Ele também criticou a expansão dos investimentos em defesa, ao afirmar que tais gastos não contribuem para a produção de alimentos e podem resultar em destruição de plantações e redução da oferta.

Durante o discurso, Lula declarou que a fome persiste por falta de compromisso das lideranças globais e disse que, para políticas de combate à pobreza, frequentemente não há recursos orçamentários disponíveis.

No evento, a primeira-dama Janja Lula da Silva recebeu da FAO o título de “Campeã da boa-vontade contra a fome”. Ela afirmou que considera uma honra assumir a função e declarou que a fome não deve ser utilizada como instrumento de guerra.

Ao comentar a situação de Cuba, Lula afirmou que o país enfrenta dificuldades não por incapacidade de produzir, mas por restrições externas. Ele sugeriu que a ajuda humanitária não deveria ser condicionada a posicionamentos ideológicos e citou também o Haiti como exemplo de país que necessita de apoio.

O presidente ainda destacou que o papel do Estado é criar políticas de crédito para financiar a produção de alimentos e questionou a diferença de acesso ao financiamento entre grandes e pequenos produtores.

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