Laudo não aponta fraturas e mantém indefinida a causa da morte do cão Orelha em Florianópolis

Os laudos da Polícia Científica de Santa Catarina concluíram que não foram identificadas fraturas nos ossos do cão comunitário Orelha e que a causa da morte não pôde ser determinada. A análise foi realizada após a exumação do corpo e obtida pela CNN Brasil.
O animal desapareceu na Praia Brava, em Florianópolis. Segundo o exame necroscópico, o corpo estava em avançado estado de putrefação e esqueletização, o que impediu a avaliação de tecidos moles e órgãos internos. A perícia concentrou-se na análise óssea e não encontrou fraturas, inclusive no crânio.
O documento aponta que todos os ossos foram examinados minuciosamente e não apresentaram lesões compatíveis com ação humana. Ainda assim, o laudo ressalta que a ausência de fraturas não descarta a possibilidade de traumatismo cranioencefálico.
A perícia também descartou o boato de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal. De acordo com os peritos, esse tipo de lesão deixaria fratura circular no crânio, o que não foi constatado.
O exame identificou patologias crônicas compatíveis com a idade do cão, como espondilose na coluna, degenerações articulares nos joelhos e osteomielite crônica no maxilar esquerdo. Conforme o laudo, essas condições não têm relação com possíveis traumas recentes.
Além da necropsia, a análise incluiu sete vídeos gravados na madrugada e na manhã de 4 de janeiro de 2026 por câmeras de rua e de condomínios da região. Os peritos não observaram alterações significativas na locomoção do animal nem indícios aparentes de comprometimento motor. As imagens mostram o cão deitado por cerca de 63 minutos na área de acesso de um condomínio, enquanto ao menos 13 pessoas passaram pelo local sem interação relevante. Em seguida, ele deixou o espaço caminhando normalmente. Também não foram identificados sinais claros de adulteração nos vídeos.
A exumação foi solicitada pelo Ministério Público de Santa Catarina, que pediu diligências complementares para aprofundar a investigação. A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a internação de um dos adolescentes apontados como suspeitos, medida prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. O caso tramita sob sigilo, e até o momento os órgãos responsáveis não se manifestaram oficialmente sobre o resultado das análises.

