Política

Governo reage a ameaças tarifárias dos EUA e admite aplicar Lei da Reciprocidade

Planalto classifica medidas propostas pelos norte-americanos como protecionistas e reforça disposição para manter negociações diplomáticas

O governo federal elevou o tom contra as novas ameaças tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos e classificou as medidas como “protecionistas” e “absurdas”. Após reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil continuará buscando diálogo com Washington, mas não descarta utilizar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.

Durante o encontro, Lula declarou que o país não pode aceitar tratamento incompatível com sua importância internacional e criticou o fato de o governo brasileiro não ter sido oficialmente comunicado sobre as propostas de novas tarifas anunciadas pelos norte-americanos.

O presidente também confirmou participação na próxima reunião do G7, marcada para ocorrer na França entre os dias 15 e 17 de junho. A expectativa do governo é aproveitar o encontro para defender o multilateralismo e ampliar o diálogo com líderes internacionais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se em Paris com Jamieson Greer. Segundo integrantes da comitiva brasileira, ambos defenderam a continuidade das negociações comerciais entre os dois países.

Em nota oficial, o governo brasileiro contestou especialmente a justificativa norte-americana relacionada ao combate ao trabalho forçado. O texto afirma que o Brasil é reconhecido internacionalmente por organismos como a Organização Internacional do Trabalho pelas políticas de fiscalização e combate a práticas análogas à escravidão.

A administração federal também ressaltou que poderá adotar medidas de resposta previstas na legislação brasileira caso considere que eventuais sanções comerciais violem as regras internacionais de comércio.

Enquanto isso, dados divulgados sobre a balança comercial mostram queda nas exportações e importações entre Brasil e Estados Unidos em maio. Apesar disso, o país manteve saldo positivo no comércio exterior graças ao desempenho das vendas para outros mercados, com destaque para a China.

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