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Fundador do Banco Master se recusa a fornecer senha de celular em depoimento ao STF

O executivo e fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, voltou ao centro do noticiário político após se recusar a fornecer a senha de seu telefone celular durante depoimento sigiloso prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última semana. A oitiva integra as investigações sobre um suposto esquema de irregularidades na venda de créditos entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), operação estimada em até R$ 12 bilhões.

Durante o depoimento, conduzido no STF, a delegada Janaina Palazzo solicitou acesso ao conteúdo do aparelho apreendido no momento da prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro. Após consultar seu advogado, Roberto Podval, o empresário afirmou que o celular contém mensagens e informações de caráter privado que não teriam relação com o objeto da investigação, motivo pelo qual optou por não revelar a senha.

Fontes do meio político e jurídico avaliam que, apesar da negativa, os investigadores podem obter acesso técnico aos dados do aparelho por meio de perícia especializada, sem a necessidade da colaboração direta do executivo. Há também a avaliação de que uma eventual liberação voluntária de dados armazenados em nuvem poderia ser considerada positivamente em futuras etapas do processo.

O episódio ocorre em meio a outros desdobramentos do caso nas instâncias superiores. No mês passado, o ministro Dias Toffoli determinou restrições ao acesso da Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS aos dados resultantes da quebra de sigilo de Vorcaro, estabelecendo que o controle das informações ficasse centralizado na Presidência do Senado.

Relatórios da CPI apontaram que a agenda telefônica de Vorcaro reúne uma extensa lista de contatos, incluindo ministros do STF, senadores, deputados e governadores. Até o momento, porém, não há registros públicos de mensagens ou chamadas que envolvam diretamente essas autoridades.

O depoimento no Supremo também incluiu questionamentos elaborados pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, que constaram formalmente na ata da audiência. Ao ser perguntado sobre eventuais pedidos de intervenção política, Vorcaro negou ter buscado qualquer tipo de influência externa, inclusive junto ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

Até agora, o empresário não se pronunciou publicamente sobre o conteúdo dos dados telemáticos apreendidos nem sobre as circunstâncias específicas dos contatos registrados no aparelho. As investigações seguem em fase de coleta de provas e esclarecimentos em Brasília.

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