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Empresa ligada a Toffoli tem capital de R$ 150 e funciona em imóvel residencial no interior de SP

A Maridt Participações S.A., empresa da qual o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, é sócio, declarou capital social de R$ 150 e tem sede registrada em um imóvel residencial na cidade de Marília, interior de São Paulo. A companhia vendeu participação no resort Tayayá ao Fundo Arllen, apontado como ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

De acordo com registros na Junta Comercial do Estado de São Paulo, Toffoli não aparece como administrador da empresa. Pelo modelo societário adotado, apenas os administradores precisam constar formalmente nos documentos. São listados como sócios o irmão do ministro, José Eugênio Dias Toffoli, e o sobrinho Igor Pires Toffoli. A sede da empresa funciona na residência de José Eugênio, localizada na Rua Doutor Zoroastro Gouveia.

Criada em 2020, a Maridt descreve como atividades a participação societária em empresas e holdings não financeiras, além da compra e venda de imóveis próprios. Inicialmente, também integrava o quadro societário José Carlos Dias Toffoli, outro irmão do ministro, que foi substituído em 2023 por Igor Pires.

Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada e com declarações apresentadas à Receita Federal. O ministro reiterou que integra apenas o quadro societário, sem exercer atos de gestão, conforme permitido pelo artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura.

Segundo a nota, a empresa deixou o grupo Tayayá em duas etapas: parte das cotas foi vendida ao Fundo Arllen em 27 de setembro de 2021, e o restante à PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025. Toffoli sustenta que todas as operações ocorreram a valor de mercado e que os valores foram devidamente declarados.

Investigadores da Polícia Federal que apuram o caso envolvendo o Banco Master afirmaram ter encontrado no celular de Daniel Vorcaro menções a pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa ligada ao ministro. Até o momento, segundo os agentes, não há comprovação de que os valores tenham sido efetivamente transferidos ao magistrado ou a intermediários.

Na mesma nota, Toffoli declarou que desconhece o gestor do Fundo Arllen, nega qualquer relação de amizade com Vorcaro e afirma que jamais recebeu valores do banqueiro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.

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