Disputa na base de Lula no Maranhão expõe racha sobre sucessão estadual
Conflito entre aliados de Carlos Brandão e grupo político de Flávio Dino pressiona articulação do presidente para eleição estadual de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as articulações políticas para tentar manter unida sua base no Maranhão diante da disputa interna em torno da sucessão ao governo estadual.
O cenário de tensão envolve o atual governador Carlos Brandão e o grupo político ligado ao ex-governador Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal.
Brandão anunciou como pré-candidato ao governo seu sobrinho, Orleans Brandão, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A decisão provocou reação dentro do campo aliado ao presidente, especialmente entre integrantes do Partido dos Trabalhadores, que defendem a candidatura do vice-governador Felipe Camarão.
Nos bastidores, integrantes do PT e do Palácio do Planalto afirmam que havia expectativa de que Brandão deixasse o cargo em abril para disputar uma vaga no Senado. Nesse cenário, Camarão assumiria o governo e concorreria à reeleição já no exercício do cargo.
O governador, porém, afirmou que cumprirá o mandato até o fim e negou que tenha firmado acordo para apoiar o vice-governador na sucessão.
Diante do impasse, aliados de Lula avaliam que uma alternativa seria buscar um terceiro nome de consenso para evitar divisão na base governista no estado.
Para tratar do assunto, o presidente designou o dirigente nacional do PT, Edinho Silva, para dialogar com o governador maranhense e discutir possíveis caminhos para a disputa eleitoral.
Entre os nomes citados nas conversas internas aparece o do ministro do Esporte, André Fufuca, mas a possibilidade não teria obtido apoio entre aliados de Brandão. Outra alternativa mencionada é a deputada estadual Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão.
Apesar das negociações, Brandão tem afirmado que a candidatura de Orleans Brandão está consolidada e não vê espaço para uma terceira via.
Enquanto as articulações políticas continuam, Felipe Camarão iniciou movimentações de pré-campanha pelo interior do estado. Ele aposta no apoio de Lula, que obteve ampla votação no Maranhão nas eleições presidenciais de 2022.
Paralelamente, aliados do grupo político ligado a Flávio Dino também mantêm diálogo com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que surge como possível nome na disputa estadual.
O Maranhão é considerado estratégico nas articulações eleitorais do presidente Lula, o que aumenta a pressão por uma solução capaz de evitar divisão no campo político aliado ao governo federal.

