Política

Contrato milionário de Lewandowski com Banco Master surpreende Planalto e gera preocupação política

Acordo de consultoria firmado pelo ex-ministro da Justiça com o Banco Master, revelado pela imprensa, causou surpresa entre auxiliares do governo e levantou alertas sobre possível desgaste político.

Integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério da Justiça e Segurança Pública reagiram com surpresa à revelação de que o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski manteve um contrato de consultoria jurídica com o Banco Master, que teria rendido cerca de R$ 5 milhões ao escritório ligado ao ex-ministro.

A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles, na coluna da jornalista Andreza Matais. Segundo a apuração, o contrato previa a prestação de serviços jurídicos à instituição financeira, hoje envolvida em investigações por fraudes no sistema financeiro nacional.

No Ministério da Justiça, secretários ouvidos relataram que não tinham conhecimento prévio do vínculo contratual entre Lewandowski e o Banco Master. Já no Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizaram o impacto do acordo, argumentando que Lewandowski teria se afastado formalmente das atividades de seu escritório de advocacia a partir de fevereiro de 2024, período em que passou a integrar o governo.

Apesar da tentativa de reduzir o alcance político do episódio, aliados do presidente reconhecem, nos bastidores, que a revelação pode provocar desgaste ao associar o governo federal a um caso que envolve suspeitas de irregularidades financeiras. A preocupação se intensifica diante de relações políticas de integrantes do Partido dos Trabalhadores da Bahia com ex-sócios do Banco Master.

Oficialmente, o governo sustenta que não há clima de crise em torno do assunto e que, até o momento, não há medidas em avaliação relacionadas ao caso.

O presidente Lula comentou indiretamente o episódio na semana passada, durante agenda em Maceió, ao criticar publicamente pessoas que, segundo ele, defendem o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Na ocasião, o presidente afirmou que há quem defenda o empresário por “falta de vergonha na cara” e fez referência a prejuízos bilionários atribuídos ao banco.

As declarações reforçaram o tom crítico do Planalto em relação ao escândalo financeiro, embora o governo evite, oficialmente, associar o caso à atuação do ex-ministro da Justiça.

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