Política

Bolsonaro aposta na família para manter influência política nas eleições

Inelegível e fora da disputa presidencial, Jair Bolsonaro (PL) tenta ampliar a presença de sua família na política nas eleições deste domingo (4). Ao todo, filhos, esposa, irmão, ex-mulher e cunhados estão envolvidos em diferentes disputas eleitorais, em uma estratégia que busca preservar a força do bolsonarismo.

O principal movimento é a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Escolhido pelo pai para representar o grupo na disputa pelo Palácio do Planalto, o senador passou a ser apontado como o principal herdeiro político de Bolsonaro, posição que também era cobiçada por aliados que defendiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Michelle Bolsonaro (PL), por sua vez, disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Em sua primeira eleição, a ex-primeira-dama aparece como um dos principais nomes do bolsonarismo na capital federal e também participa da articulação para eleger integrantes de sua família.

Um dos irmãos de Michelle, Diego Torres (PL), foi escolhido como primeiro suplente em sua chapa. Outro irmão, Eduardo Torres (PL), concorre novamente a uma vaga de deputado distrital no Distrito Federal.

Em São Paulo, Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele utiliza o número 2222, um dos mais conhecidos dentro do PL. Segundo o levantamento apresentado no texto, Renato foi candidato oito vezes e conseguiu se eleger apenas uma vez, para vereador de Praia Grande, em 1996.

A família também está presente nas disputas em Santa Catarina. Carlos Bolsonaro (PL), após sete mandatos como vereador do Rio de Janeiro, concorre ao Senado pelo estado. Já Jair Renan Bolsonaro (PL), vereador de Balneário Camboriú, tenta uma vaga de deputado federal.

A atuação eleitoral de Jair Renan gerou questionamentos na Câmara de Balneário Camboriú. O vereador Marcelo Achutti (MDB) criticou as ausências do colega durante o período de campanha. Jair Renan respondeu que precisa se ausentar para acompanhar o pai, que classificou como preso político.

Entre os filhos de Bolsonaro, apenas Laura, de 15 anos, e Eduardo Bolsonaro (PL) não participam diretamente da disputa eleitoral. Eduardo está nos Estados Unidos e desistiu de concorrer como suplente de senador em São Paulo.

A lista de familiares envolvidos na eleição inclui ainda Rogéria Bolsonaro (PL), mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, que concorre a uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro.

Inicialmente, Flávio articulava para que Rogéria fosse suplente de Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo. A composição, porém, não avançou depois que Canella foi alvo de uma operação policial, foi preso em flagrante por portar um fuzil no veículo e desistiu da candidatura.

Com candidaturas espalhadas por diferentes estados e cargos, Bolsonaro busca manter a presença de seu grupo político nas urnas mesmo estando impedido de disputar eleições. A estratégia coloca integrantes da própria família no centro da tentativa de preservar sua influência eleitoral.

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