Aumento de acidentes de moto pressiona sistema de saúde em Campina Grande
O Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande registrou, em 2025, um crescimento de 21,8 por cento no número de acidentes envolvendo motociclistas. No total, foram contabilizadas 9.728 ocorrências ao longo do ano, o que representa uma média diária de 29 atendimentos. Para o neurocirurgião Marcos Wagner, o cenário configura uma “epidemia silenciosa”, marcada por traumatismos cranianos graves, lesões medulares e sequelas neurológicas permanentes. Segundo ele, cada estatística representa uma família abalada e um sistema de saúde cada vez mais sobrecarregado.
O médico explica que o traumatismo craniano continua sendo a principal causa de morte entre motociclistas, mesmo quando há uso de capacete. De acordo com Wagner, impactos de alta energia ainda provocam hemorragias, edemas e danos cerebrais que podem levar ao coma ou deixar sequelas irreversíveis. O especialista também alerta para o aumento expressivo de mototaxistas e entregadores por aplicativo em Campina Grande, um avanço que, segundo ele, não foi acompanhado por melhorias na infraestrutura urbana, na sinalização e na fiscalização de áreas críticas.
O neurocirurgião destaca que cada leito de UTI ocupado por vítimas de traumas neurológicos reduz a disponibilidade para outras emergências e eleva os custos do sistema público de saúde. Para enfrentar o problema, ele defende medidas estruturais e educativas, como expansão de ciclovias adequadas, campanhas permanentes de conscientização, fiscalização efetiva e maior responsabilidade das empresas de aplicativo na oferta de equipamentos de segurança e jornadas menos extenuantes. Wagner reforça ainda um alerta direto aos motociclistas: a utilização de capacete certificado, o respeito aos limites de velocidade e a recusa em dirigir cansado ou sob efeito de álcool podem ser determinantes para evitar mortes.

