Ancelotti diz que eliminação marca início de novo ciclo da Seleção Brasileira
Após a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo, com derrota por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo (5), o técnico Carlo Ancelotti afirmou que o revés representa o começo de uma nova etapa para a equipe e não o encerramento do projeto à frente da seleção.
Em entrevista após a partida, o treinador italiano reconheceu a frustração pela eliminação, mas avaliou que o Brasil fez uma boa campanha e teve condições de conquistar a classificação.
“É óbvio que estamos profundamente tristes. Acho que a equipe não fez um Mundial espetacular, mas fez um bom Mundial. No jogo de hoje, poderíamos ter vencido. Quando acontece um momento assim, é preciso entender que uma derrota representa o início de uma nova temporada. Temos que continuar trabalhando, melhorando e buscando novas ideias. Não é o fim, é o começo de um novo ciclo”, declarou.
Ancelotti também explicou a decisão de colocar Bruno Guimarães como cobrador do pênalti desperdiçado ainda no primeiro tempo, quando o placar permanecia empatado sem gols.
Segundo o treinador, a escolha foi baseada em um levantamento estatístico realizado pela comissão técnica. Ele informou que Neymar era o principal cobrador da equipe, seguido por Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli. Como apenas Bruno estava em campo naquele momento, a responsabilidade ficou com o volante.
“Fizemos uma estatística de um ano dos jogadores rivais e também dos nossos. O melhor era Neymar, depois Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Martinelli. Escolhemos Bruno porque entendemos que era a melhor opção entre os jogadores que estavam em campo”, explicou.
Na avaliação do comandante brasileiro, a Seleção controlou boa parte da partida e criou oportunidades suficientes para conquistar a vitória. Para ele, a organização defensiva da Noruega e a qualidade do atacante Erling Haaland foram determinantes para o resultado.
“Foi um bom jogo. Criamos muitas oportunidades no primeiro e no segundo tempo, quando a partida ainda estava empatada. As substituições foram feitas para dar mais intensidade e profundidade ao time na tentativa de vencer”, analisou.
Ancelotti explicou ainda que optou por não realizar uma marcação alta constante para evitar espaços que favorecessem Haaland.
“Era muito complicado fazer pressão alta porque a Noruega colocava muitos jogadores atrás da linha da bola, com Odegaard recuando bastante. Fazer essa pressão representava um risco diante da velocidade de Haaland nos contra-ataques”, afirmou.
Com contrato renovado antes da Copa do Mundo, o treinador garantiu que permanecerá à frente da Seleção Brasileira e seguirá trabalhando no processo de renovação da equipe.
“Vamos continuar trabalhando para melhorar a seleção, buscar novas ideias e fazer avaliações dos jogadores. O trabalho desenvolvido até aqui foi bom. No futebol, às vezes é preciso administrar a tristeza de uma derrota. Estou acostumado com isso. Vamos transformar esse momento em motivação para seguir evoluindo”, disse.
Ao final da entrevista, Ancelotti agradeceu o comprometimento do elenco durante a competição e lamentou a eliminação.
“Foi uma experiência de decepção pelo resultado, mas também uma experiência bonita. Construímos um grupo unido, com jogadores que trabalharam muito bem e criaram um excelente ambiente. No esporte, nem sempre tudo acontece como planejamos. Pelo que apresentamos hoje, não merecíamos perder, mas também precisamos reconhecer a qualidade da equipe adversária”, concluiu.


