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Alta do petróleo após ataques ao Irã cria ganhadores e perdedores na América Latina

A disparada no preço do petróleo após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã tem sido acompanhada de perto pelos países da América Latina. Embora a região seja considerada menos vulnerável às oscilações do mercado do que outras partes do mundo, o aumento do barril cria efeitos diferentes entre exportadores e importadores.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço do combustível registrou na segunda-feira (2) o maior aumento diário em mais de 20 anos. Já na maioria dos países latino-americanos, a volatilidade foi menor até agora.

Segundo o economista venezuelano Francisco Monaldi, diretor do Programa de Energia para a América Latina do Baker Institute for Public Policy da Rice University, os países que mais se beneficiam de uma alta no petróleo são os exportadores líquidos.

Entre eles estão Venezuela, Colômbia e Equador, que produzem mais petróleo do que consomem. “Esses países são obviamente os mais beneficiados quando o preço sobe”, afirmou o especialista.

Brasil e Argentina também ganham, mas em menor escala

Monaldi explica que Brasil e Argentina também se beneficiam da alta, já que atualmente são exportadores líquidos de petróleo. No entanto, o impacto positivo é menor do que em países cuja economia depende mais da exportação do produto.

Ele destaca ainda o crescimento da produção na Guiana, que tem ampliado significativamente sua receita com petróleo nos últimos anos. Já o Suriname também começa a registrar ganhos, embora sua produção ainda tenha peso menor na economia.

Situação do México

No caso do México, o país não possui mais um grande saldo exportador de petróleo como no passado. Mesmo assim, a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) continua sendo uma peça central da economia mexicana.

Um relatório do Banamex aponta que o impacto direto da crise no Oriente Médio tende a ser limitado para o país, já que o México não depende do petróleo iraniano nem das rotas marítimas do Estreito de Ormuz.

Além disso, cerca de 70% do gás natural consumido no país é importado dos Estados Unidos por gasodutos, o que reduz o impacto de eventuais interrupções no transporte marítimo.

Impacto maior para importadores

Se os exportadores lucram com a alta, os países que dependem da importação de petróleo enfrentam dificuldades. Na avaliação de Monaldi, nações como Chile, Uruguai, Peru e a República Dominicana têm pouca capacidade fiscal para absorver os aumentos.

Por isso, nesses casos, o custo do petróleo costuma ser repassado quase integralmente ao consumidor final.

Preços atuais e perspectivas

Nesta semana, o barril do petróleo Brent crude oil estava próximo de US$ 84, enquanto o West Texas Intermediate era negociado perto de US$ 76.

Analistas avaliam que a instabilidade pode continuar por algumas semanas, dependendo da evolução do conflito no Oriente Médio. Mesmo assim, especialistas acreditam que a situação pode começar a se estabilizar até o final de abril.

Segundo o analista energético Ramses Pech, a região asiática tende a sentir impactos maiores, já que cerca de 84% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz tem como destino países da Ásia. Na América Latina, os efeitos devem ser mais moderados, principalmente com a atuação dos Estados Unidos para reduzir impactos no mercado global.

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