Brasil

Alta do cacau eleva preço dos ovos de Páscoa, que acumulam aumento de 24,77% em 12 meses

Os consumidores encontraram os ovos de Páscoa mais caros neste ano. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que os preços acumulam alta de 24,77% em 12 meses, variação cerca de seis vezes superior à inflação geral do período.

A principal pressão vem do cacau, matéria-prima essencial da produção. Desde 2023, problemas climáticos, doenças nas lavouras e restrições de oferta, especialmente na África Ocidental, responsável por aproximadamente 75% da produção mundial, reduziram a disponibilidade global da amêndoa e impulsionaram as cotações internacionais.

No fim de 2024, o cacau atingiu picos históricos. Atualmente, os contratos futuros giram entre US$ 8 mil e US$ 9 mil por tonelada, patamar muito acima dos cerca de US$ 2,3 mil registrados três anos atrás. Mesmo com recuos pontuais nas bolsas internacionais, especialistas avaliam que os preços devem permanecer estruturalmente elevados.

Em entrevista à CNBC, o presidente-executivo da Lindt & Sprüngli, Adalbert Lechner, afirmou que não acredita em retorno aos níveis anteriores. Já a associação suíça Chocosuisse destacou que a quadruplicação dos preços nos últimos dois anos elevou significativamente os custos de produção, enquanto o repasse ao consumidor ocorre de forma gradual.

Analistas do J.P. Morgan e da Capital Economics apontam que o mercado ainda enfrenta um déficit persistente entre oferta e demanda, além de desafios estruturais de produtividade em países como Costa do Marfim e Gana, o que tende a sustentar preços elevados por período prolongado.

Mesmo com expectativa de aumento da produção em países como Equador e Brasil, a previsão é de que o cacau se estabilize em torno de US$ 6 mil por tonelada nos próximos anos, ainda acima da média histórica.

No Brasil, a dependência de importação de parte das amêndoas amplia a sensibilidade da indústria às oscilações externas. Além disso, muitos fabricantes operam com estoques adquiridos quando as cotações estavam no auge, prolongando o impacto nos preços finais.

Apesar do encarecimento, o consumo segue em expansão. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas, a presença do chocolate nos lares brasileiros passou de 85,5% em 2020 para 92,9% em 2024. O consumo médio anual também cresceu, alcançando 3,9 quilos por pessoa, o maior nível dos últimos cinco anos.

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