João Pessoa adota limites à verticalização na orla e mantém modelo urbano diferenciado no litoral

João Pessoa se consolidou como uma exceção entre as capitais litorâneas brasileiras ao adotar, há décadas, regras urbanísticas que restringem a altura de edificações na orla marítima. A medida, prevista na legislação municipal e no Plano Diretor da cidade, tem como foco a preservação da ventilação natural, da paisagem costeira e da qualidade ambiental.
O impacto dessas normas é perceptível ao longo da faixa litorânea da capital paraibana. A limitação de gabarito contribui para maior circulação de ventos, redução do sombreamento excessivo na praia e melhor integração entre o espaço urbano e o ambiente natural. Em comparação com outras cidades do país, onde prédios altos se concentram próximos ao mar, João Pessoa mantém uma orla mais aberta e arejada.
A política urbana adotada pelo município busca equilibrar crescimento e planejamento, evitando que a expansão imobiliária comprometa o conforto térmico e a paisagem. Esse modelo é sustentado por leis municipais que definem parâmetros claros para construções na região costeira.
Em 2017, a cidade recebeu o título de Cidade Criativa da UNESCO, na categoria Design. O reconhecimento internacional destacou práticas de planejamento urbano que priorizam identidade, funcionalidade e qualidade de vida.
Especialistas em urbanismo apontam que ambientes urbanos com maior ventilação e menor adensamento vertical favorecem a qualidade do ar e tornam os espaços públicos mais adequados para convivência e lazer. Ao mesmo tempo, o modelo adotado também levanta debates sobre valorização imobiliária e ocupação do solo em áreas nobres.
Mesmo diante dessas discussões, João Pessoa é frequentemente citada como exemplo de que o desenvolvimento urbano pode ocorrer sem a verticalização extrema observada em outros centros urbanos do litoral brasileiro.

