Brasil

Planalto demonstra desconforto com atuação de Toffoli em caso envolvendo o Banco Master

O presidente Lula pediu informações sobre a conduta do ministro Dias Toffoli em investigação ligada ao Banco Master, enquanto o Supremo enfrenta divisões internas e debates sobre impactos institucionais.

Após semanas de repercussão envolvendo a atuação de um ministro do Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto passou a manifestar incômodo com a condução do caso e com a ausência de uma resposta institucional mais clara. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou informações sobre o comportamento do ministro Dias Toffoli no inquérito que apura fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional, relacionadas ao caso Banco Master.

De acordo com relatos de interlocutores, o presidente identificou indícios de possível interferência no trabalho da Polícia Federal e demonstrou preocupação com denúncias que citam familiares do ministro em operações comerciais envolvendo a empresa Reag Investimentos. A companhia aparece tanto nas apurações do caso Banco Master quanto na Operação Carbono Oculto, que investiga supostos esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Auxiliares do presidente afirmam que a principal preocupação de Lula é a preservação da credibilidade do Supremo Tribunal Federal. Fontes próximas ao Planalto também apontam que o distanciamento entre Lula e Toffoli não é recente, além de destacar o ceticismo do presidente quanto a qualquer capacidade de influenciar decisões do ministro.

No Supremo, o ambiente interno revela um cenário de divisão. Sete ministros avaliam que o desgaste provocado pelo episódio pode gerar riscos institucionais para a Corte. Outros dois ministros mantêm apoio integral a Toffoli. Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já manifestaram publicamente respaldo ao colega. O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota recente em defesa da instituição, destacando o papel constitucional do tribunal e a necessidade de proteção institucional.

Nos bastidores, Fachin enfrenta pressões divergentes. Parte dos ministros defende a adoção de medidas internas para reduzir danos à imagem da Corte. O presidente do Supremo sustenta a discussão sobre a criação de um código de conduta, ressaltando que não há, até o momento, configuração de crime, mas reconhecendo a existência de questões éticas capazes de afetar a confiança da sociedade.

No Executivo e no Legislativo, parlamentares de diferentes correntes políticas analisam os possíveis desdobramentos do episódio e avaliam se o Planalto pode tirar proveito político da situação. A avaliação predominante é de que Toffoli deverá permanecer no cargo, com uma solução intermediária em discussão: a devolução do processo à primeira instância da Justiça Federal. A medida é vista como uma alternativa para reduzir a tensão institucional sem provocar um confronto direto entre os Poderes.

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