Marco Aurélio critica atuação do STF e defende que caso Banco Master fique na primeira instância

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, afirmou que o processo envolvendo o Banco Master não deveria ser analisado pela Suprema Corte. Em entrevista ao SBT News, ele defendeu que o caso seja conduzido pela primeira instância, seguindo práticas que, segundo ele, eram adotadas pelo próprio STF em décadas anteriores.
De acordo com Marco Aurélio, nos anos 1990 era comum o desmembramento de investigações que envolviam autoridades com foro privilegiado. Apenas a parte diretamente relacionada ao detentor do foro permanecia no Supremo, enquanto os demais envolvidos respondiam perante a Justiça de primeira instância. Para o ex-ministro, esse procedimento respeitava os limites constitucionais da Corte e evitava a ampliação indevida de sua competência.
Ao comentar o cenário atual, Marco Aurélio afirmou que a mudança de postura do STF tem causado desgaste institucional e descontentamento popular. Segundo ele, a ampliação do alcance das decisões da Corte, o que chamou de “elasticidade da competência”, pode estimular movimentos que defendem o impeachment de ministros.
Apesar das críticas, o ministro aposentado destacou que a preservação do Supremo deve estar acima de interesses pessoais. Na avaliação dele, eventuais pedidos de impeachment podem ser interpretados como tentativas de correção de rumos institucionais, e não necessariamente como ataques à Corte.
Durante a entrevista, Marco Aurélio também relembrou sua atuação em 1997, quando se declarou impedido de julgar o caso do ex-presidente Fernando Collor, seu primo. Para ele, a credibilidade do Supremo depende não apenas da imparcialidade dos ministros, mas também da percepção pública dessa imparcialidade.
As informações foram divulgadas pelo jornalista Leandro Magalhães, do SBT News.

