Natal e João Pessoa enfrentam desafios semelhantes no crescimento urbano
Densidade, mobilidade, saneamento e prevenção a riscos exigem planejamento contínuo nas capitais nordestinas

Natal (RN) e João Pessoa (PB), capitais de porte semelhante e com economias baseadas em serviços, turismo e administração pública, enfrentam um desafio comum: crescer sem transformar mobilidade urbana e infraestrutura básica em gargalos permanentes.
Natal apresenta maior densidade populacional e um dado que pesa diretamente na gestão urbana: o elevado número de pessoas expostas a áreas de risco. Segundo o Censo de 2022, a capital potiguar tem 751,3 mil habitantes, com estimativa de 784,2 mil em 2025, e densidade de 4.488 habitantes por quilômetro quadrado. Em 2010, mais de 104 mil pessoas viviam em áreas consideradas de risco, o que torna drenagem urbana, prevenção e manutenção de encostas prioridades constantes.
A cidade possui área urbanizada de 99,32 km², índice de esgotamento sanitário de 43,74% e arborização de 55,25%. No mercado formal, são 356 mil pessoas ocupadas, com salário médio de 2,8 salários mínimos. Na educação, o IDEB registra 4,6 nos anos iniciais e 3,4 nos anos finais do ensino fundamental.
João Pessoa, por sua vez, tem população maior e indicadores mais elevados de saneamento e urbanização. A capital paraibana soma 833,9 mil habitantes, com estimativa de 897,6 mil em 2025, e densidade de 3.970 habitantes por quilômetro quadrado. A população exposta ao risco é significativamente menor, com 13,8 mil pessoas registradas em 2010.
A área urbanizada chega a 110,82 km², com cobertura de esgotamento sanitário de 69,19% e urbanização de vias de 25,1%. O mercado formal reúne 371,3 mil trabalhadores, com salário médio de 2,7 salários mínimos. Na educação, o IDEB é superior ao de Natal, com 5,2 nos anos iniciais e 4,0 nos anos finais.
Apesar das diferenças, as duas capitais compartilham pontos críticos quando o planejamento urbano não acompanha o crescimento: mobilidade e corredores de transporte, saneamento e drenagem urbana, além da capacidade da rede de serviços públicos, como saúde e educação.
Enquanto Natal precisa priorizar infraestrutura básica e ações preventivas diante da alta exposição ao risco e do baixo índice de esgotamento, João Pessoa enfrenta o desafio de sustentar seus avanços em saneamento, educação e urbanização sem perder fluidez urbana e eficiência no atendimento à população.

