Campina Grande

Reunião técnica aponta fenômeno natural como causa da mortandade de peixes no Açude Velho

A Prefeitura de Campina Grande realizou, nesta quarta-feira (14), uma reunião técnica para avaliar a mortandade de peixes registrada no Açude Velho e definir medidas de mitigação. O encontro foi conduzido pela Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), em parceria com a Secretaria de Obras, e contou com a participação de especialistas de universidades e técnicos municipais.

Após debates e análises, os participantes chegaram a um consenso técnico de que o episódio está relacionado a um fenômeno ambiental natural conhecido como Circulação Vertical Turbulenta da Coluna d’Água. Segundo os especialistas, o processo é comum em reservatórios do semiárido e pode ser intensificado por fatores climáticos como altas temperaturas durante o dia, noites mais frias, ventos intensos, baixa lâmina d’água e ausência de renovação hídrica significativa.

De acordo com a avaliação apresentada, o fenômeno provoca a ressuspensão de sedimentos do fundo do açude, onde há grande acúmulo de matéria orgânica ao longo de décadas. Esse material libera gases tóxicos, como metano e gás sulfídrico, capazes de causar intoxicação aguda da fauna aquática, resultando na mortandade de peixes, inclusive antes da redução crítica do oxigênio dissolvido.

Apesar da origem natural, os técnicos destacaram que fatores antrópicos históricos contribuem para agravar o quadro ambiental. Entre eles estão o assoreamento do reservatório, elevado nível de eutrofização, acúmulo de matéria orgânica, baixa oxigenação da água, longo tempo de retenção hídrica, existência de ligações clandestinas de esgoto e a ausência de um sistema contínuo e eficiente de renovação da água.

Os especialistas ressaltaram que não há responsabilização individual, tratando-se de um desequilíbrio ambiental sistêmico e histórico, comum a diversos reservatórios urbanos do país que deixaram de exercer sua função original de abastecimento.

Como encaminhamento, foi definido um protocolo de ações. No curto prazo, estão previstas a aquisição e instalação de aeradores para aumento do oxigênio dissolvido, monitoramento contínuo da qualidade da água, análises técnicas como Demanda Bioquímica de Oxigênio, oxigênio dissolvido, potencial de oxirredução e turbidez, além do acompanhamento da ictiofauna.

Para o médio e longo prazo, o plano inclui a intensificação da fiscalização para coibir ligações clandestinas de esgoto, ampliação do monitoramento ambiental permanente, estudos para implantação de um sistema de renovação hídrica, avaliação técnica para possível dragagem do sedimento, aquisição de novos equipamentos ambientais e articulação contínua com universidades e órgãos ambientais.

Em nota, a Prefeitura de Campina Grande afirmou que o episódio não decorre de omissão imediata, mas de um fenômeno climático-natural agravado por passivos ambientais históricos. A gestão municipal destacou ainda que não existe solução emergencial definitiva para eventos dessa natureza e que as medidas adotadas seguem critérios técnicos, científicos e contam com respaldo de especialistas.

O município reafirmou o compromisso com a transparência, a recuperação ambiental e a preservação do Açude Velho como patrimônio ambiental e paisagístico da cidade.

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