Protestos no Irã expõem repressão às mulheres e restrições de liberdades sob regime teocrático

Uma nova onda de protestos no Irã voltou a chamar a atenção internacional para a repressão imposta pelo regime às mulheres e para as severas restrições às liberdades individuais no país. Imagens de manifestantes queimando fotografias do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, tornaram-se símbolos dos atos que se espalharam em diferentes regiões.
As manifestações tiveram início no fim de dezembro de 2025, motivadas inicialmente pela grave crise econômica enfrentada pela população. O cenário inclui inflação elevada, forte desvalorização da moeda nacional e aumento expressivo nos preços de produtos essenciais. Com o avanço dos protestos, as pautas se ampliaram e passaram a incluir reivindicações por reformas políticas, mudanças no sistema judiciário e maior liberdade social.
A resposta do governo foi marcada por repressão. De acordo com a Human Rights Activists News Agency (Hrana), os confrontos e ações de contenção já resultaram em 544 mortes e 10.681 prisões desde o início dos atos. Organizações de direitos humanos denunciam o uso excessivo da força por parte das autoridades de segurança.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é governado como uma teocracia, na qual o poder máximo está concentrado nas mãos do líder supremo, o aiatolá, que exerce autoridade com base nos preceitos do Alcorão. O regime foi instaurado após a derrubada do xá Mohammad Reza Pahlavi, cujo governo era considerado autocrático e alinhado ao Ocidente por diferentes setores da sociedade iraniana.
Ao longo das décadas, tornaram-se frequentes os relatos de violações de direitos humanos, limitações às liberdades sociais e dificuldades econômicas agravadas por sanções internacionais. Nesse contexto, a situação das mulheres ocupa papel central nas críticas ao governo. As regras rígidas de vestimenta e comportamento impostas pelo Estado islâmico são alvo constante de contestação, tanto por opositores internos quanto por parte da comunidade internacional.
A mudança no tratamento dado às mulheres é apontada como uma das principais reivindicações dos protestos, que seguem evidenciando o descontentamento popular com o modelo político e social vigente no país.

