Com rombo de R$ 12 bilhões, dono do Banco Master fica apenas 11 dias preso após decisão judicial
Documento revela reunião entre Daniel Vorcaro e autoridades do BC antes de operação da PF, o que reforça versão de que sua viagem ao exterior estava previamente informada. Magistrada substitui prisão por medidas cautelares.
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Um ofício do Banco Central foi crucial para que a Justiça substituísse a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, executivo do Banco Master, por medidas cautelares. Vorcaro, alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes financeiras de até R$ 12 bilhões, teve sua prisão decretada no mesmo dia em que tentou embarcar para Malta. Contudo, a decisão foi revertida após a defesa apresentar um documento do BC que detalha uma reunião entre o empresário e autoridades da instituição, realizada horas antes da operação.
No encontro, realizado por videoconferência, Vorcaro teria informado ao diretor de fiscalização do BC, Aílton de Aquino Santos, e ao chefe do departamento de supervisão bancária, Belline Santana, sobre sua viagem a Dubai, onde pretendia concluir negociações com investidores estrangeiros. Segundo a defesa, o fato de a viagem ter sido comunicada previamente ao BC refutaria a acusação de tentativa de fuga, argumento que pesou na decisão da desembargadora Solange Salgado, do TRF-1.
Contudo, o Banco Central deixou claro que não recebeu qualquer aviso formal sobre a viagem, apenas verbalmente durante a reunião, que não foi registrada em áudio ou vídeo. No mesmo dia da prisão, Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Malta em um jato particular. A decisão que concedeu sua liberdade com tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte destacou que o risco de fuga poderia ser mitigado por medidas menos drásticas.
A defesa de Vorcaro, que pediu mais detalhes sobre a reunião, reflete um contexto tenso, em que técnicos do BC relataram pressões políticas sobre o Banco Master durante as investigações. No ofício, o BC também mencionou discussões sobre a crise de liquidez do banco e negociações com a Mastercard, além da venda de partes do conglomerado a investidores nacionais e internacionais.
Este episódio ilustra a complexa trama que envolve a investigação da Polícia Federal e as reações institucionais, enquanto as autoridades tentam esclarecer o alcance das supostas fraudes financeiras.
Foto: Ana Paula Paiva/Valor

